Fim do Google Assistente: o Que Muda no Seu Celular em Setembro

Estágio 2 de 5 — Aprendendo · Você já ouviu falar de IA e quer entender o que ela muda no seu dia? Esse artigo é pra essa fase.

Você não pediu nada, não instalou nada, não mudou nada. Mas no dia 4 de setembro o celular Android que está aí na sua mão vai começar a responder diferente.

O Google confirmou: o Assistente, aquele do “Ok Google” que você usa para pôr despertador e ligar para a sua mãe sem digitar, deixa de ser suportado em dispositivos móveis a partir dessa data. No lugar entra o Gemini, a inteligência artificial da empresa.

Não é opção, não é atualização opcional, não tem botão de recusar. É substituição.

O que exatamente acontece no dia 4

O suporte ao Assistente termina em celulares e tablets compatíveis, e a mudança se estende também para relógios com Wear OS, fones pareados e o Android Auto do carro.

A troca não é de uma vez. Ela vem por atualização do sistema e dos aplicativos, de forma gradual, e pode levar algumas semanas até alcançar todos os aparelhos. Ou seja: se no dia 5 nada tiver mudado no seu, não quer dizer que você escapou. Quer dizer que ainda não chegou.

Se você já recebeu um e-mail do Google falando disso e achou que era spam, não era. A empresa começou a avisar por e-mail.

Por que isso está acontecendo agora

Essa mudança vinha sendo empurrada há tempo. O plano original era concluir a troca até o fim de 2025. Foi adiado, passou a valer “ao longo de 2026”, e só agora ganhou data.

O motivo declarado pelo Google foi garantir uma transição mais suave, sem quebrar o que as pessoas usam todo dia. E parte do ecossistema já vive isso há mais tempo: a linha Pixel 9 e o Galaxy S25 Ultra já saíram de fábrica com o Gemini como assistente padrão.

O Assistente chegou em 2016. São dez anos de gente falando com ele.

O que muda na prática, no seu dia

O gesto continua igual. “Ok Google” segue funcionando, e o toque longo no botão de energia também. O que muda é quem atende.

E os dois são feitos para coisas diferentes. O Assistente era bom em comando seco: põe alarme, liga para fulano, qual a temperatura. O Gemini foi construído para tarefa mais complexa — redigir texto, analisar informação, interpretar imagem, responder com mais contexto.

Isso corta dos dois lados. Você ganha a possibilidade de apontar a câmera para uma coisa e perguntar o que é, ou pedir um resumo de uma mensagem longa. E pode achar mais lento para o que você mais fazia, que provavelmente era o comando seco de três palavras.

Não vou fingir que testei o Gemini como assistente do meu celular por semanas para te dar um veredito. Não testei. O que dá pra dizer com segurança é o que as duas ferramentas foram desenhadas para fazer, e elas foram desenhadas para coisas diferentes.

O seu celular vai receber?

O Gemini roda em aparelhos com Android 10 ou mais recente e pelo menos 2 GB de memória RAM. Está disponível em mais de 150 países e 45 idiomas, com o Brasil incluído.

Se o seu aparelho for mais antigo que isso, ele fica de fora da migração — o que na prática significa perder o Assistente sem ganhar o substituto.

E se eu não gostar?

Aqui está a parte que ninguém gosta de ouvir. Hoje ainda existe, em parte dos aparelhos, a possibilidade de voltar ao Assistente antigo. Mas essa opção tende a desaparecer conforme a migração avança — é o desenho da mudança, não um bug.

O que sobra é ajustar o próprio Gemini: revisar as permissões que ele tem, decidir o que você deixa ele acessar, e definir se quer o atalho no botão de energia ligado ou desligado. Vale reservar dez minutos para isso quando a troca chegar no seu aparelho, em vez de descobrir no susto.

O que me incomoda nisso

Não é o Gemini ser pior ou melhor. É que a decisão não passou por você.

Uma ferramenta que já estava no seu bolso, que você já sabia usar, foi trocada por outra sem que ninguém perguntasse. E a ferramenta nova é mais capaz justamente por fazer mais coisas com o que você fala e mostra pra ela.

Isso não é motivo para pânico, e nem estou dizendo para desligar tudo. É motivo para olhar, uma vez, o que ele pode acessar. Já escrevi aqui sobre como eu confiava na IA mais do que percebia — e isso valia para uma que eu tinha escolhido abrir. Essa vem sozinha.

Você usa o Assistente para quê no dia a dia? Fico curioso pra saber se é comando simples ou se você já pedia coisa complicada pra ele.

Próximo passo: se essa história de ter uma IA respondendo por padrão te deixou com a pulga atrás da orelha, escrevi sobre o dia em que percebi que confiava demais na IA.