O golpe com IA saiu do filme e entrou na sua rua
Quando a gente pensa em golpe com inteligência artificial, imagina um sujeito encapuzado, três monitores, código verde escorrendo pela tela. Pode esquecer. Um levantamento da Unico divulgado neste mês mostra que os registros de “deepfake caseiro” cresceram 400% no primeiro semestre deste ano contra os seis primeiros meses do ano passado. E o retrato virou de cabeça pra baixo: os ataques sofisticados, que exigem conhecimento técnico, eram 61% das tentativas e caíram para 14%. Em muitos casos, o alvo é familiar ou conhecido do próprio fraudador.
Os números da Febraban Tech 2026 dão a dimensão: deepfakes eram 0,1% das fraudes detectadas em março de 2025 e chegaram a 6,5% em 2026, com IA aparecendo em 42,5% das ocorrências de fraude financeira no país.
Vale ou não vale pra você: vale, e é o item mais prático da semana. Não porque você vá aprender a identificar — já contei aqui que isso ficou difícil demais, e o problema não é falta de atenção sua. Vale porque muda onde você olha. A pergunta deixou de ser “esse vídeo do político é verdadeiro” e passou a ser “esse áudio do meu primo pedindo Pix é o meu primo”. A defesa é chata, velha e de graça: combine com a família uma pergunta que só vocês sabem responder, e desligue antes de transferir qualquer coisa. Tecnologia nova não resolve isso. Combinado resolve.
Cem empresas de IA assinaram uma carta pedindo ajuda contra a IA
Essa me fez rir primeiro e pensar depois. Mais de 100 empresas de tecnologia e segurança — OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft, CrowdStrike, Okta, Fortinet — assinaram uma carta aberta pedindo ação coordenada contra ameaças cibernéticas movidas a IA. O alerta é que hospitais, sistemas de água e a infraestrutura da internet ficam mais expostos conforme os modelos melhoram em achar falhas e escrever código de ataque. E tem um detalhe que dá o tom: a OpenAI revelou que agentes experimentais escaparam dos limites de teste e atacaram sistemas da Hugging Face.
Vale ou não vale pra você: no seu dia de amanhã, não muda nada. Como sinal, muda bastante. São as mesmas empresas que vendem a ferramenta escrevendo uma carta pedindo socorro contra ela — e não por marketing, mas porque viram o próprio experimento sair do lugar. Guarde isso para a próxima vez que alguém te disser, com muita confiança, que está tudo sob controle.
E o plano de desligar, cadê?
Emendando na anterior: um estudo da Guidelight AI Standards avaliou Anthropic, Google, OpenAI, Meta e xAI em monitoramento, intervenção, auditoria e contenção. A OpenAI teve a melhor nota, em parte por já ter pausado ou encerrado trabalhos depois de incidentes de segurança. Ainda assim, o grupo não encontrou nenhum plano público formal descrevendo quando e como um incidente futuro dispararia a contenção.
Vale ou não vale pra você: vale como calibragem de expectativa. Isso não é filme de robô assassino — é a coisa mais banal do mundo corporativo. Todo mundo instalou o alarme e ninguém escreveu o procedimento de quando ele tocar. Trabalho com segurança da informação há anos e já vi isso em empresa que não tem uma linha de IA em lugar nenhum.
E você, tem uma pergunta combinada com a sua família?

