Semana movimentada. Separei três coisas que eu vi e que me fizeram parar pra pensar — uma que muda a tela de quem usa a versão gratuita, uma frase de bilionário e um golpe que me incomodou mais que os outros.
1. O ChatGPT começou a mostrar anúncio no Brasil
A OpenAI ligou aqui o piloto de anúncios que já rodava em outros sete países. Aparece pra maiores de 18 anos nos planos Free e Go; quem paga Plus, Pro ou Business continua sem.
Eu uso o gratuito. Então isso vai bater na minha tela, não na dos outros. Minha primeira reação foi irritação — até eu parar pra pensar em quem paga essa conta. Manter uma IA de pé é caro de um jeito difícil de imaginar. E mesmo com assinatura, a conta não fecha pra quem é dono da ferramenta. Anúncio é a empresa procurando renda extra porque o dinheiro que entra não cobre o que sai.
Não existe almoço grátis. Quando o serviço é de graça, alguém está bancando — e agora ficou visível quem. Aliás, isso rendeu tanto pensamento que virou pauta de um texto próprio, sobre as entranhas da IA e o que custa manter isso funcionando.
Vale ou não vale pra você: se você usa a versão gratuita, vai ver anúncio em algum momento. Não é motivo pra pagar assinatura por reflexo. É motivo pra reparar onde o anúncio aparece em relação à resposta — que é bem diferente de aparecer dentro dela.
2. Sam Altman disse que a singularidade já aconteceu
O CEO da OpenAI soltou que o ponto em que a máquina supera a mente humana já passou. A frase reacendeu a discussão do conceito.
Não dá pra negar o que a ferramenta faz. Capacidade analítica, velocidade, volume de entrega — nisso ela passa em mim com folga e eu nem tento competir. Mas superar a mente humana em quê, exatamente? Decisão não se toma só com cálculo. Sentimento tem peso. Eu já decidi coisa contra a planilha e não me arrependi, e aposto que você também.
Vale ou não vale pra você: serve de calibragem. Quando alguém disser que a IA já superou a gente, pergunte “superou em qual tarefa”. Se a resposta for vaga, é discurso. Se for específica, aí sim vale ouvir.
3. Um golpe usou vídeo de IA pra você ignorar o aviso do banco
Um estudo da ESET mostrou uma plataforma falsa usando a marca da Caterpillar, com vídeo feito por IA, prometendo quase 8% de rendimento por dia em aluguel de maquinário. O dinheiro saía por Pix.
Esse me incomodou mais que os outros dois. Repare no que aconteceu: o banco funcionou. O alerta de risco apareceu na tela da vítima. O vídeo existia justamente pra convencer a pessoa a passar por cima do aviso. Trabalho com segurança da informação há tempo suficiente pra saber que o elo mais fraco da corrente é sempre o humano, e nesse caso a falha nem foi técnica.
Rosto conhecido, ator, influenciador, vídeo bem feito — isso induz ao erro e sempre vai induzir. A mitigação não é ferramenta nova. É conscientização e educação, repetidas.
Vale ou não vale pra você: vale muito. Se um aviso de segurança aparecer e alguém do outro lado explicar por que você deve ignorar, para. O aviso está certo e a explicação é o golpe.
E você, viu alguma coisa essa semana que valeu o tempo?
Fonte: análise da ESET sobre a plataforma falsa que usa a marca da Caterpillar (WeLiveSecurity).

